Acredito que este não seja um assunto muito analisado ou pensado entre a maioria das pessoas, mas é um daqueles temas cruciais para que possamos compreender verdadeiramente quem somos, além de nos aprofundarmos em nossa ligação com o Todo, o universo de forma geral.
Para podermos fazer essa analise auto reflexiva de nós mesmos, devemos perceber a visão mais comum que temos de nós mesmos e a concepção que deveríamos passar a absorver em um nível mais profundo, a qual nos mostra a realidade universal em que fazemos parte, mas que devido a ilusão tridimensional em que estamos inseridos neste momento, deixamos de perceber-la ou sequer compreende-la em sua totalidade, provocando assim, conclusões errôneas a respeito de quem realmente somos.
Convido a todos a refletir verdadeiramente durante e/ou após tal leitura, pois quanto mais autoconhecimento desenvolvemos, mais conseguimos evoluir durante nossa encarnação na 3D e assim, podemos cumprir um pouco do nosso objetivo principal ao encarnarmos, que é nossa própria auto evolução.
O que é Dualismo?
O conceito do dualismo nos apresenta a teoria da dualidade, ou seja, sempre há duas versões, realidades sobre tal coisa, seja ela opostas ou não, mas que preserva a ideia de haver duas situações para determinados questionamentos. Podemos citar como exemplos, o bem e o mal, o físico e o espiritual, dentre outras situações onde visualizamos duplamente conceitos correlacionados.
A visão dual é a mais comum entre nós quando olhamos e analisamos para vários aspectos de nossas vidas, inclusive a nós mesmos. Esta dualidade nos faz acreditar que existe Eu e existe o Outro, existe Eu e o Universo, Eu e o Todo, Eu e os animais, Eu e o Planeta, Eu e a Flora. Percebe que nos vemos como um E alguma outra coisa ou existência? Mas você ja parou para pensar se é estamos nos vendo pela ótica universalmente coerente? Se esta visão inclusive não reforça mentalidades de diferenciação, separação ou criação de grupos em nós mesmos e consequentemente na sociedade?
Esse sistema dualístico tão natural da tridimensionalidade, nos faz enxergarmos tudo sempre por duas óticas, sempre nos vendo como um e nos separando do outro, sempre criando distanciamento e polos distintos. Eu sou eu, o universo é o universo, sendo assim, duas existências ou matérias distintas e separadas. Mas, o que a ótica da abstração tem a nos mostrar? Vejamos.
O que é Abstração?
Ao contrario do conceito de dualidade, o conceito de abstração nos informa que não há dois lados da moeda, ou seja, não há polos diferentes e separados entre si, há uma unica "coisa", uma unica existência, algo que aglomera e comporta tudo, seja o que for, seja em qual estado energético se encontre. O abstrato pode ser visualizado de diferentes formas, como, conceitos e projeções mentais, a teia que une todos os elementos energéticos seja ele existindo em maior densidade como plano físico e materialidade, seja ele advinda de energias mais sutis, leve, sem forma definida mas que existem tanto quanto as de maior densidade.
Este conceito nos traz a ideia de união, aglomeração, igualdade, conexão e pertencimento único da mesma fonte. Quando enxergamos por essa ótica, visualizamos que não há separatívismos ou divisão por grupos mesmo que de forma "inconsciente" de nossa parte. Nos desafia a nos enxergarmos junto com o Todo, junto com o universo e não "e" ele, junto com toda a existência planetária, inclusive o ser planeta em si, denominada como Gaia, onde nós somos "também eles" ao invés de nós "e" eles.
Mas afinal qual é a relação desses dois conceitos com a nossa visão sobre tudo e todos?
A ótica mais coerente com a realidade Universal
Dentre as visões do Dualismo e da Abstração, a que mais corresponde com a realidade constante no universo é a Abstrata. Nós somos feitos de energia cósmica universal, em seus diferentes graus de densidade e particularidades a depender de cada existência. Nós somos e estamos intimamente conectados com o universo, mesmo sabendo disso na tridimensionalidade ou não. Nós viemos e consciencialmente retornaremos ao Todo, mas nunca nos separamos dele, apenas temos níveis de consciência. através de nossos corpos multidimensionais, que acessamos durante nossa evolução mas que por vezes nos da a ilusão de estarmos separados, como quando estamos utilizando o corpo físico por exemplo.
O esquecimento encarnatório faz parte do processo de encarnação, mas não devemos deixar que isso nos confunda acerca dos conceitos existentes no universo. Nós somos feitos de energia universal, "nascemos" dessa fonte cósmica e nos uniremos com plena consciência em momento oportuno de acordo com cada evolução. Nós acessamos modos de autonomia para evoluirmos a nós mesmos, mas que não são independentes entre si, pois estamos e somos conectados com a fonte criadora, com o cosmos e o universo como Todo a todo momento.
O conceito de Uno, nos representa e como poderíamos separar o que é um? não é possível, certo! A divisão ou separação que enxergamos é apenas uma ilusão, pois no plano físico em que estamos agora, é mais fácil compreender o que podemos ver e não o que é "invisível". Mesmo quando há divisões cósmicas conforme é o caso das mônadas, a divisão é apenas a forma de explicar tal situação mas não significa que se separaram no sentido mais abstrato de seu ser, pois quando você faz parte do Todo, não há o que não é o Todo, afinal o Todo é tudo e esta em tudo. Não se separa o que naturalmente está eternamente e internamente, em seu nível mais profundo, conectado entre si.
Desta forma, devemos compreender que não só fazemos parte do universo, ou do Todo, nós somos o universo, nós somos o Todo. Não há lá e cá, apenas há em todo lugar. O universo possui um processo natural de auto expansão, porém, a verdade é que a constante expansão do universo/Todo, se dá através de seus seres universais, ou seja, todos nós vivemos o processo de evolução, pois é algo intrínseco a nossa essência, e cada caminhar na trilha evolutiva mas o Todo caminhar. Tudo está conectado e tudo se influência, pois o que é Uno, único, um, não se separa. Nós somos a evolução universal e o universo é cada um de nós, toda a existência é um se universal.
Sob qual ótica deveríamos nos enxergar?
Não devemos nos deixar levar pela ilusão de separação gerada pelo esquecimento da encarnação. Logo, o conceito de Abstração é o que deveríamos nos esforçarmos para profundamente absorver, pois enquanto nos enxergarmos como "um" e o resto como "outro", estaremos mais distantes de nós mesmos, e essa incoerência provavelmente não gerará bons frutos e boa semeadura.
Imagine quantos problemas sociais, de violência, de ódio e de egoísmo existem em nossa sociedade justamente por termos visões dualísticas. O fato de nos vermos como um e o restante, seja ele vegetal, animal ou hominal, como "outro" de forma separada e não conectada, nos faz pautar nossas vidas em visões e práticas provavelmente daninhas a todos e consequentemente a nós mesmos. Afinal, se eu estou internamente mal, a sociedade e o planeta sente, pois apesar de não ver essa "teia" que une, ela existe por si só. Se fazemos o animal ou o vegetal sofrer, fazemos Gaia (planeta) chorar e consequentemente devido a tudo estar conectado e se influenciar, o ambiente, as pessoas, a flora, a fauna se contaminarão energeticamente com aquela energia ruim, que se influenciam e assim sucessivamente, virando o caos que conhecemos hoje e há muito tempo no planeta.
Ao percebemos que nós, em nossa essência, também somos o que chamamos de "outro", faz sentido prejudicar, ignorar, maltratar este "outro"? Acredito que não, certo. Nós estaremos gerando estas energias ruins em nós mesmos e enviando a tudo e todos ao nosso redor. Para acabarmos com este padrão auto prejudicial, devemos começar a enxergar tudo e todos que conhecemos pela ótica Abstrata universal, assim, naturalmente, o futuro que nos aguarda e aguarda nos filhos, netos...não será pautado no ódio, na divisão, na indiferença e ignorância de conhecimentos básicos universais, como há agora.
Vejamos pela ótica universal e assim comecemos a nos enxergar quem realmente nós somos, tudo e todos que somos, hoje e sempre. Plantemos amor para colhermos amor, plantemos a igualdade para colhermos a igualdade. Plantemos a universalidade para colhermos união, amor e igualdade. Vejamos o próximo não com o "outro" e sim como irmãos energéticos, ou para quem for mais além, como nós mesmos em diferente forma. Lembremos ou aprendemos que a flora e a fauna não estão aqui para nos servir e sim para nos ensinar, ensinar gratidão, amor e respeito, basta termos olhos de ver e coração para sentir.